Vânia Mignone fala sobre a relação da mulher com mercado da arte

Nascida em Campinas e formada em Artes Plásticas, Vânia Mignone iniciou sua carreira como artista no início dos anos 90, participando do circuito de artes do país há 25 anos. Sua obra se caracteriza pelo uso de cores fortes, frases e figuras regionais e do cotidiano.

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

O eixo central de sua pintura é a narrativa que se constrói a partir de figuras, palavras e objetos equilibrados sem hierarquias no plano da tela. A artista faz uso despojado de um repertório de personagens, artefatos e artifícios mundanos. Um rosto que poderia ser qualquer um, uma cadeira, uma planta doméstica. 

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

Em nova fase, com nova paleta de cores mais frias e nova temática, Vânia realiza sua décima exposição na Casa Triângulo. As obras, que trazem o feminino como mote, têm uma atmosfera musical e uma dimensão cênica mais pungente, conforme declara Felipe Scovino, curador da exposição, que leva o nome da artista.

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

Sobre a temática feminina, Vânia ressalta que não busca nenhum artifício pensado. "O meu trabalho fala sobre o feminino de uma forma natural, porque sou mulher e isso é algo que gosto de ver no trabalho de outros artistas. Por exemplo, o meu trabalho é muito brasileiro, sem ter características conhecidas como tal".

E acrescenta "para mim ser mulher passa por uma questão ligada a delicadeza, que exige força e coragem, mas é um detalhe que ultrapassa isso, uma energia diferente. Mesmo em situações diversas, é uma forma de tocar as pessoas, de fazer as coisas."

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

Quando o assunto é mercado de arte, Vânia diz: "Comecei a trabalhar há um pouco mais de vinte anos e talvez pelo trabalho de outras mulheres que vieram antes de mim, nunca senti nenhum tipo de discriminação. Ainda é um mundo muito masculino, mas nunca senti uma diferenciação de gênero."

Ela conta que isso aconteceu também porque o mundo artístico é composto por pessoas que têm a cabeça mais aberta, o que a artista vê como favorável. Seu trabalho também foi bem aceito pelo meio, onde sempre teve espaço.

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

Por outro lado, Vânia pondera que "existe muita informação de referências masculinas, homens que trabalham; sempre homem, homem, homem, os artistas são sempre homens."

E explica que isso se dá por alguns motivos anteriores ao circuito, que não passam pelas galerias. Motivos que acontecem na formação individual, mas que se colocam de uma forma não muito clara. "Não consigo imaginar isso como uma divisão de gênero", afirma. 

"A minha formação, quanto inspiração, não vem das artes plásticas. Vi muito mais filme e escutei muito mais música do que vi obra de arte. via grandes atrizes e ouvia MPB, onde tem mulher fazendo coisa. Queria fazer algo parecido com o que elas estavam fazendo. Me inspirava nelas, então nunca me incomodei com essa falta de mulheres no meio".

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

Ainda sobre a formação, Mignone conta, por fim, que isso aconteceu porque na cidade de Campinas, assim como na maioria das cidades brasileiras, não têm museus, galerias e exposições. "Museu até tem, mas está em péssimas condições; as galerias são decorativas, por não ter ambiente para trabalho artístico".

 

(Créditos: Reprodução / Site da Artista)

 

A exposição da Vânia Mignone na Casa Triângulo acontece até 25 de março. Para acompanhar este e demais eventos culturais, siga O Beijo nas redes sociais.

Comentários
Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake Museu de Arte Moderna de São Paulo