MoTIn para ampliar a cena teatral de SP

No evento também houve o lançamento do portal MoTIn - Movimento dos Teatros Independentes de SP (Créditos: Reprodução) 


A cena teatral paulistana deu um grande passo visando reconhecimento público e novas políticas de manutenção. Na presença do secretário-adjunto José Roberto Sadek, da Secretaria de Cultura do Estado, e do secretário municipal de cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, houve o lançamento oficial do Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo (MoTIn), no Espaço dos Fofos, na Bela Vista, na terça (22/09). 

Organizado em 2014 e formado por proprietários e outros parceiros de espaços culturais fora do mainstream da capital, o movimento quer repensar o papel e a atuação destes equipamentos culturais  no cotidiano da metrópole. Para isso, realizou e divulgou durante o evento um estudo pioneiro: a Cartografia dos Teatros da Cidade de São Paulo. 

 

"Este é o primeiro estudo quantitativo sobre os teatros da cidade. Uma pesquisa inédita que aborda desde a situação legal dos espaços até a parte da programação e do acesso (...)"
 

Atualmente, existem entre 70 e 80 teatros independentes na cidade, que se mantém financeiramente seja pela bilheteria, por serviços como restaurante, bar e venda de acessórios, ou, em poucos casos, por editais públicos.

"Este é o primeiro estudo quantitativo sobre os teatros da cidade. Uma pesquisa inédita que aborda desde a situação legal dos espaços até a parte da programação e do acesso. E isso traçando um paralelo entre três categorias: o teatro independente, o público (estatal) e o com bandeira (patrocinado por empresas/marcas), explica Bernardo Galegale, assistente de direção do Teatro Centro da Terra, integrante do MoTIn.

 

Em entrevista ao site O Beijo, Leonardo Medeiros do Teatro da Rotina confirmou a necessidade de novas políticas púbicas para manutenção de espaços independentes. O ator e diretor também apoia o MoTIn e o Rotina, como espaço e grupo, também faz parte do movimento. (Créditos: Leila Fugii)


Agora, o próximo passo é disponibilizar gratuitamente este mapa para download de quem acessar o site www.motin.org.br. Tanto a cartografia, quanto o portal do MoTIn foram patrocinados pela Secretaria de Cultura do Estado, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. 

Outro avanço deve ser celebrado em 2016: a isenção de IPTU para espaços teatrais independentes com até 400 lugares. Neste momento, atores e diretores aguardam o lançamento do edital, cujo lançamento está previsto para outubro deste ano.

Sem perder tempo, o Movimento dos Teatros Independentes, segundo Bernardo Galegale, ainda deve organizar um festival de teatro, "possivelmente para janeiro de 2016". Levando, dessa forma, cada vez mais pessoas a usufruir de uma programação fora do velho circuito comercial. 
 

//MANIFESTO DO MOTIN
 

O MOVIMENTO DOS TEATROS INDEPENDENTES DE SÃO PAULO é um processo que surgiu em meados de 2013, decorrente do encontro de um grupo de artistas-gestores de espaços culturais, principalmente, dos pequenos teatros espalhados pela cidade. Somos nós, aqui presentes. Autônomos na captação de recursos e na forma de manutenção financeira das nossas sedes e companhias. Não possuímos bandeiras promocionais vinculadas aos nomes dos nossos espaços. Somos independentes na curadoria da nossa programação, na gestão das nossas salas e na produção dos nossos conteúdos artísticos.

Somos agentes civis atuando espontaneamente na cultura que, no entanto, é território público. Arcamos com os custos de políticas de estado, como meia-entrada e acessibilidade, sem contrapartidas para seu custeio. Sofremos com a valorização imobiliária, que pressiona nossos aluguéis ou nos desaloja de nossas sedes.

Nossos espetáculos não são produtos industrializados feitos em série ou pré-determinados por pesquisas de opinião ou estratégias de marketing. São artesanais e únicos, com outra lógica de produção e comercialização. A demanda que suprimos, o Estado não tem conseguido atender.

Produzimos cultura autonomamente, mas na solidão da nossa luta por fazê-lo também nos isolamos. Diante dos novos dispositivos midiáticos, questionamos nossa real importância na sociedade. O Movimento busca uma auto reflexão mais abrangente. Na nossa procura por identidade, nos re-significamos. E, novamente, neste ato, estamos cumprindo nossa função social.

É na diversidade estética, ideológica e dos modos de produção desses pequenos espaços-laboratório, cada qual falando o dialeto da sua tribo e comunicando-se especificamente com seus públicos, que está o maior valor do nosso Movimento.

No múltiplo vocabulário das diferenças. É na capilaridade do social que está a expressão mais viva da nossa arte. A diversidade é a riqueza cultural do Movimento.

Somos uma rede em formação. E, no ato de constituir esses vários fluxos e conexões, os “pequenos teatros” de São Paulo deixam de ser fenômenos quixotescos e isolados. Percebemos que existe uma lógica urbana, histórica e social mais abrangente que nos envolve. Os tempos mudaram e a força expressiva da nossa arte não está mais na realização de um grande sucesso isolado, suportado por ampla publicidade nos meios de comunicação de massa. Isso não mais existe. A expressão é a própria rede. É a nova mídia e o novo suporte midiático que nós queremos entender melhor. Por isso a necessidade de conhecermos com mais profundidade este momento histórico no qual, não por acaso, nós nos encontramos.

Para sabermos mais acerca de nós mesmos precisamos nos re-identificar. Precisamos elaborar a cartografia dos nossos espaços, considerando seus territórios e atravessamentos no civil e no público, de modo a conhecermos nossas particularidades e nossas possibilidades de atuação artística, social e política.

Da mesma forma, devemos saber dos métodos já existentes para elaborar tal cartografia e também dos pensadores contemporâneos que estudam o tema para debatê-lo conosco, ajudando-nos a produzir o conhecimento desse momento, original e brasileiro.

O MOVIMENTO DOS TEATROS INDEPENDENTES DE SÃO PAULO é uma organização em rede, sem hierarquia; é uma expressão da nossa época e uma iniciativa histórica dos artistas envolvidos. Busca ações duradouras e significativas para a cidade.

São Paulo, 14 de fevereiro de 2014.

(Fonte: www.motin.org.br)
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