Rafael Augustaitz, artista que pichou Bienal de SP, expõe no Rio

Trabalhos de Rafael Augustaitiz, em cartaz no RJ (Créditos: Reprodução/Facebook)

 

Em 2008, o Centro Universitário de Belas Artes teve sua rotina abalada pela pichação. Em junho, o pichador Rafael Augustaitz, na época estudante da instituição, transformou o pixo em seu trabalho de conclusão de curso. Na apresentação, junto a amigos também pichadores, ele deixaria de lado o papel sulfite para usar o spray.

A gritaria e os pixos nas paredes seriam vistos meses depois na 28ª Bienal de Artes de São Paulo, curada por Ivo Mesquita. Sem a diplomacia pedida quando o que está em debate são expressões polêmicas, Rafael e seus companheiros colocariam fogo (quase que literalmente) na discussão sobre a pichação. 

Em 2016, oito anos depois do "levante", entre flertes do pixo com o circuito de arte, Augustaitz exibe seus trabalhos na exposição A Máscara Azul - As Profecias, no Centro Cultural Municipal Laurindo Santos Lobo.

 

(Créditos: Reprodução/Facebook)

 

A mostra individual é composta por cerca de 50 trabalhos, nos quais o desejo de inversão ou reinvenção é evidente. Destaque para uma fotografia em que o Cristo Redentor aparece de cabeça para baixo e uma pintura na qual o manto de Nossa Senhora de Aparecida aparece duplicada. No encontro entre as duas vestes vazias, um pentagrama.

Sobre um dos trabalhos em que aparecem bandeirinhas de São João e o qual o olho teima em pensar nas pinturas de Volpi, ele explica de forma codificada em conversa em rede social:  "Chama-se Apocalipse São João. Junto com as outras obras é uma ruptura de totalidade. O Anticristo. Metafísico. Espaço-Tempo-Curvo". 

 

(Créditos: Reprodução/Facebook)

 

A afirmação vai parecer menos complicada quando ele sintetiza sua produção: "Meu trabalho é paradoxal, uma ruptura na arte contemporânea". Isto é o máximo de explicações que ele vai dar, sem mastigar sua produção, vai se despedir como surgiu, sem muita cerimônia. 

A exposição de Rafael Augustaitiz fica exposição fica em cartaz até 24 de julho. A entrada é gratuita. 

 

 


SERVIÇO

A Máscara Azul - As Profecias

Local: Centro Cultural Municipal Laurinda Lobo, Santa Tereza, Rio de Janeiro

Horário: Terça a domingo: 10h às 19h.

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