Galerista Jacques Ardies avalia 13ª Bienal Naïfs

Jacques Ardies (Créditos: Reprodução /
Facebook)

 

O galerista Jacques Ardies conversou com o site O Beijo no dia 8  de setembro na abertura da 13ª Bienal Naïfs, realizada no Sesc Piracicaba. Avaliou a exposição e falou sobre este estilo de pintura. Confira abaixo trechos da conversa.

 

OBEIJO -- Por que estrangeiros tem menor resistência à arte naif?

JACQUES ARDIES -- Acredito que é porque eles percebem que ela é original, inspirada em raízes muito profundas do país.

OBEIJO --  O uso de outras técnicas e materiais também chama atenção?

JA --  Sim, mas essa maneira de se expressar é peculiar, em especial, porque é alguém que acha que tem o talento suficiente para dispensar o professor de Belas Artes e que com seus recursos vai conseguir inventar uma linguagem original.

É interessante porque cada artista tem sua particularidade. Não precisa ter uma assinatura, o que se relaciona com a origem e repertório. No sul, você, por exemplo,  vai encontra uma arte mais contida, menos solar. Já o nordeste, vai apresentar alguma coisa muito mais forte. O mineiro, é delicado, é poético.

O que eu acho que confunde todo mundo é que não tem uma orientação para definir o que é arte do que não é arte, para identificar o que é uma criança ou uma pessoa que não tem noção de nada de um artista. Foi o que notei aqui, vi muitos principiantes, pintores que talvez um dia vão chegar lá, mas falta muito suor para estar em uma bienal naif.

OBEIJO --  Como assim?

JA --  Vamos supor, sou um pianista autodidata, tenho essa facilidade, me sinto atraído. Finalmente, de tanto tentar, vou chegar  em um ponto que vou chegar na tecla certa sem olhar.  Nesse momento, consigo me expressar. Isso, porque não vou ter mais a necessidade me concentrar para saber se estou batendo na tecla certa. O que eu vejo aqui é que o pessoal ainda está procurando as teclas. Não vejo ainda competência, talento, para apresentar obras de arte.

OBEIJO -- O que você está falando é que mesmo os artistas naifs, que não tem instrução, precisam ter domínio técnico...

JA -- Precisa ter. Toda forma de arte precisa ter o domínio. Não pode fingir e enganar. Mas esse domínio (do naif) não passa pela faculdade... A diferença  é que, por não ser influenciado, ele vai ser mais espontâneo. Ele vai procurar expressar o que é dele. Para poder seguir isso, ele precisa passar por uma escola própria. Precisa passar horas, meses, dias na frente do cavalete, tentando resolver problemas.

OBEIJO -- E quais os critérios para avaliá-los?

JA-- Aí que está o problema, não tem. E é o que as pessoas confundem , naif não  sinônimo de iletrado. E outra, ele também pode pintar “bem”. O naif, se  melhorar, é ótimo. Não pode ser condenado a pintar mal.

OBEIJO --  E o que você achou de colocar artistas moderno contemporâneos junto a naifs?

JA-- Tem tantos artistas que se inscreveram que, pelo amor de deus, estou revoltado. Para que misturar? ///

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