Exposição sobre o Brasil firma Fortaleza como centro cultural

Em comemoração aos 45 anos da Universidade de Fortaleza, a Fundação Edson Queiroz realiza a exposição Da Terra Brasilis à Aldeia Global, reunindo 250 obras dos principais artistas do Brasil e de estrangeiros que o retrataram.

Abrangendo arco temporal que se estende do século XVI ao século XXI, a mostra começa com o livro America Tertia Pars, publicado na Europa em 1592, e finalizando com obras contemporâneas.

A exposição fica em cartaz de 20 de março de 2018 a 24 de março de 2019, no Espaço Cultural Unifor.

 

“Primeira Missa”, de Victor Meirelles (Créditos: Divulgação)

 

A mostra, que reúne parte do acervo da própria Fundação Edson Queiroz, tem curadoria de Denise Mattar, que optou por uma abordagem histórica e didática, contextualizando os principais movimentos da arte brasileira em 9 módulos.

“Além disso, procuramos mostrar para o público que cada um desses movimentos reflete um momento histórico, político e social e que a arte acaba por transcender todos esses marcos”, salienta ela.

 

"Baile Caipira", de Tarsila do Amaral (Créditos: Divulgação)

 

// Terra Brasilis (1500–1637)

Constam as obras Primeira Missa, de Victor Meirelles, Primeira Missa em São Vicente, de Johann Moritz Rugendas, além de quatro óleos de Frans Post e Vista do Recife e seu porto, de Gillis Peeters.

// A matriz barroca (séc. XVII-XVIII)

Consta o conjunto de quatro obras denominado Os Quatro Continentes, pinturas de forros caixotonados de autor desconhecido, usuais nas igrejas, capelas e salas senhoriais desse período. Esses trabalhos guardam similaridade com o forro da Igreja Matriz de Aquiraz, datada de 1713, documentada em vídeo, exibido no espaço. 

 

 

// Reais mudanças (1808-1821)

Constam, entre outras, as obras Retrato de D. Pedro I (1829), óleo de Simplício de Sá Rodrigues, que tem um similar no Museu Imperial de Petrópolis (RJ), e Juramento da Regência Trina (1831), de Araújo Porto Alegre, que retrata, em proporções murais e com riqueza de detalhes, a cerimônia de posse da Regência Trina, realizada no Paço Imperial.

Quase todos os integrantes da Missão Francesa estão representados no grupo, destacando-se as obras São João (1799), de Nicolas Antoine Taunay, e Cascatinha da Tijuca (1840), de Félix-Emile Taunay. 

// Uma Academia nos trópicos (1826 -1922)

Seleção de obras de artistas influenciados pela Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). A Coleção da Fundação Edson Queiroz reúne os mais importantes artistas acadêmicos brasileiros desse período. Fazem parte do núcleo obras de Belmiro de Almeida, Eliseu Visconti, Almeida Júnior, Rodolpho Amoedo, Vicente Leite e Raimundo Cela.

 

Módulo "Reais Mudanças" (Créditos: Divulgação)

 

// Modernidade (1917-1950)

A exposição reúne obras dos principais artistas do Primeiro Modernismo, dentre os quais, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Ismael Nery, Gomide, entre outros.

A criação dos Museus de Arte Moderna em São Paulo e Rio, entre 1947 e 1948, encerra o ciclo do Segundo Modernismo, abrindo espaço para a chegada do Abstracionismo.

Obras de Pancetti, Guignard, Segall, Volpi, Bruno Giorgi, Flávio de Carvalho, Ceschiatti, Aldemir Martins e Silvio Pinto completam o módulo, que prestará homenagem especial a três artistas brasileiros, com salas em separado: Di Cavalcanti, Milton Dacosta e Candido Portinari.

// A Força da Abstração (final dos anos 1940 até a atualidade)

Dele fazem parte artistas abstrato-informais da coleção: Vieira da Silva, Antonio Bandeira, Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Walber Batinga, Iberê Camargo e Frans Krajcberg. 

Dos grupos de Concretos e Neoconcretos, integram a exposição Ivan Serpa, Lygia Pape, Abraham Palatnik, Franz Weissmann, Hélio Oiticica e Lygia Clark. 

Sem fazer parte dos grupos citados, outros artistas desenvolveram, ao longo dos anos, sua pesquisa no abstracionismo geométrico, e por isso merecem destaque na exposição. São eles Aldo Bonadei, Heloísa Juaçaba, Mira Schendel e Eduardo Frota.

 

“Descobrimento do Brasil”, de Candido Portinari (Créditos: Divulgação)

 

// Tempos difíceis (1960-1970)

O título que dá nome ao módulo faz alusão ao período da Ditadura Militar. Entre os artistas deste período, Antonio Dias, Wesley Duque Lee, Sérvulo Esmeraldo, Lygia Pape, Cildo Meireles e Waltércio Caldas.

// Chuvas de verão (1980 - 1990)

Agrupa os artistas da chamada Geração 80, reunindo obras dos principais nomes desse período: Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Daniel Senise, Francisco de Almeida, João Câmara Filho, Leda Catunda e Leonilson.

// A Aldeia Global (de 1990 até a atualidade)

São trabalhos de artistas contemporâneos como Adriana Varejão, Mariana Palma, Henrique Oliveira, Vik Muniz, José Tarcísio, Luiz Hermano e Efrain Almeida.

 

"Durutti Column", de Leonilson (Créditos: Divulgação)

 

Lenise Queiroz, Presidente da Fundação Edson Queiroz, afirma que “esta exposição reflete muito mais do que uma exibição de arte. Selecionamos, com toda consonância curatorial, aquilo de mais representativo para mostrar que o valor artístico continua vivo. Vivo para as pessoas, para a História, para tudo aquilo que tem significado de fato. Queremos comemorar os 45 anos da Unifor, mas também queremos convidar a todos para uma caminhada histórica e simbólica”, completa.

O Espaço Cultural Unifor fica na Av. Washington Soares, 1321, em Fortaleza. As visitas acontecem de terças a sextas-feiras, das 9h às 19h; sábados e domingos, das 10h às 18h. 

 

(Créditos: Divulgação)

 

 

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