Evento em SP reflete sobre espaços culturais

De 22 a 23 de setembro, São Paulo se transforma em palco de reflexão sobre espaço urbano e cultura no Encontro Internacional Espaços Culturais Urbanos. Promovido pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo, o evento está com inscrições abertas. Serão dois dias de debates com palestrantes nacionais e estrangeiros. 

O objetivo, segundo a organização do encontro, é promover a o pensamento e apontar possíveis caminhos e possibilidades da gestão cultural frente às novas referências do espaço urbano. Tendo em vista o reconhecimento dos direitos culturais de diversos públicos e levando ao debate comportamento e responsabilidades das instituições públicas e privadas nesse processo.

Entre os pesquisadores e professores universitários, representantes de instituições culturais e gestores da cultura daqui e de fora do Brasil que já confirmaram presença no primeiro dia de evento estão: o antropólogo espanhol Manuel Delgado; o geógrafo paulista André Roberto Martins; a antropóloga carioca Julia O’Donnell; a arquiteta espanhola radicada na Colômbia Ana López Ortego; a arquiteta brasileira Lúcia Leitão; o presidente do Instituto Choque Cultural, o brasileiro Baixo Ribeiro; e o fundador do coletivo de arte equatoriano Tranvía Cero, Pablo Xavier Almeida Egas.

Para o segundo dia de evento, o público contará com palestras dos seguintes convidados: o sociólogo britânico Steven Miles; o antropólogo brasileiro Heitor Frúgoli Jr.; a arquiteta brasileira Lilian Fessler Vazaborda; a arquiteta e urbanista Erminia Maricato; o grafiteiro Wellington Neri; o economista Leandro Valiati; e o gestor cultural espanhol Rubén Caravaca.

O encerramento do encontro ficará a cargo de Rosana Cunha, gerente de Ação Cultural do Sesc São Paulo. Na ocasião, Rosana vai apresentar algumas iniciativas da entidade no desenvolvimento de projetos itinerantes, com destaque em espaços públicos.


//PROGRAMAÇÃO


::Dia 22/9

Eixo 1 – Espaço e Cultura

O encontro de dois termos polissêmicos incita a diversas abordagens, possibilitando a integração de diversas áreas do conhecimento. A partir de uma perspectiva interpretativa, busca-se desvendar os múltiplos significados dos espaços, assim como discutir as identidades e suas representações.

Conferência de abertura: o planejamento cultural das cidades

Com Manuel Delgado Ruiz, doutor em antropologia pela Universidade de Barcelona. Pós-graduado em Psicologia Social pela Faculdade de Medicina da UB. É professor de Antropologia Religiosa no Departamento de Antropologia Social da UB. É Coordenador dos grupos de pesquisa GRECS, Grupo de Pesquisa sobre Exclusão e Controle Sociais, GRACU, Grupo de Pesquisa em Antropologia do Conflito Urbano.

Mesa 1: Identidade, Memória e Cidade

A indústria de demolição civil e a amnésia urbana

Com André Roberto Martin, nascido e criado no bairro do Brás em São Paulo, fez graduação e mestrado em Geografia refletindo sobre a deterioração e a renovação urbana deste bairro, ocorrida entre os anos 1960 e 80. É professor no Depto. de Geografia da USP, onde se doutorou e obteve a livre-docência. Escreveu "Fronteiras e Nações" (Ed. Contexto) e "União Europeia" (Ed. Ática), este em parceria com Ivan Jaaf.

De curicica à barra olímpica: memória, urbanismo e mercado no Rio dos grandes eventos.

Com Julia O’Donnell, mestre e doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional, professora adjunta do Departamento de Antropologia Cultural da UFRJ. Atua na área de Antropologia Urbana e na interface entre Antropologia e História. Autora de De Olho na rua: a cidade de João do Rio e A invenção de Copacabana.

Eixo 2 – Criação e Produção Cultural no Espaço Público

Como a criação e a produção podem estimular a reorganização dos espaços públicos, tornando-os locais de encontro e de fruição, por pessoas de diferentes culturas e origens socioeconômicas? Esta mesa pretende pensar os espaços públicos tendo como foco a esfera cultural, entendendo-a como central na articulação das demandas sociais de realidades diversas, e na pesquisa e no empreendimento de práticas criativas que interajam com os múltiplos contextos e necessidades.

Mesa 1: Conflito e Convivência (14h30 às 16h) 

Espaço de jogo no limite: táticas e estratégias de intervenção coletiva na cidade

Com Ana López Ortego, arquiteta pela ETSA de Granada (Espanha, 2007), com pós-graduação em tecnologias para o Desenvolvimento Humano pela UOC (2009) e candidata a mestrado em Métodos e Técnicas Avançadas de Pesquisa Geográfica (2015). Docente e pesquisadora vinculada à Universidade Javeriana de Bogotá desde 2011. Cofundadora e membro ativo do coletivo Arquitetura Expandida, como principal pesquisadora. OArquitetura Expandida explora diferentes formas de organização na construção coletiva do território através de ações materializadas em intervenções urbanas colaborativas que se mexem entre a necessidade, o político-crítico, o alto conteúdo.

“Os homens não são criaturas gentis”. Breves considerações sobre o papel do conflito na produção e na apropriação cotidiana da cidade.

Com Lúcia Leitão, arquiteta, doutora em arquitetura com estágio pós-doutoral na Université Paris-Descartes, Sorbonne. É Professora da UFPE e pesquisadora do CNPq. Fundou e lidera o Núcleo de estudos da subjetividade na arquitetura (NusArq), associado ao Laboratório de Estudos Avançados em Arquitetura-lA2 (MDU/UFPE).

Mesa 2: Expressões Culturais e Artísticas (16h30 às 18h)

O novo ativismo urbano

Com Baixo Ribeiro, presidente do Instituto Choque Cultural. Diretor da Galeria Choque Cultural. Professor - livre docência. Curador de arte contemporânea. Co-coordenador das redes multidisciplinares Colaboratório, Farol, Laboratório da Cidade, Manifesto da Noite, Coletivo da Barra, Centro Criativo e Cidadania 2.0.

Existe o contrapoder na arte?

Com Pablo Xavier Almeida Egas, fundador do Coletivo de arte Tranvía Cero, realizador do "Encuentro de arte y comunidad al zur-ich" (2003-2015); criador do Taller de Arte “La Mancha Social Club” (2001-2005) tem promovido processos comunitários baseados em espaços de diálogo e discussão que colocam sob tensão o uso social e democrático do espaço público.


::Dia 23/9

Eixo 3 - Culturalização dos Espaços

Pretende-se discutir as questões relativas às transformações e apropriações de áreas cuja vocação inicial não é cultural. As intervenções que buscam readaptar os tecidos urbanos existentes vêm se utilizando do prefixo RE: reabilitar, renovar, reestruturar, revitalizar, ressignificar, entre outros, para atuar em áreas vazias ou degradadas, tais como ferroviárias, portos e indústrias. Este eixo visa explorar a atribuição de novos significados aos espaços.

Mesa 1: Regeneração Urbana e Cultura (10h às 11h30)

Regeneração orientada pela cultura e o consumo do local

Com Steven Miles, professor de Sociologia na Universidade Metropolitana de Manchester (Manchester Metropolitan University). É autor deConsumerism as a Way of LifeSpaces for Consumption: Pleasure and Placelessness in the Post-Industrial City e Retail and the Artifice of Social Change. Projetou a avaliação para o ano de Liverpool como Capital Europeia da Cultura em 2008.

Um olhar antropológico sobre as instituições culturais da região da luz (São Paulo) 

Com Heitor Frúgoli Jr., professor livre-docente do Departamento de Antropologia da USP e coordenador do Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade (USP). É conselheiro do Condephaat desde 2013, foi professor titular da Cátedra de Estudos Brasileiros da Universidade de Leiden (2010) e Directeur d’études da École des Hautes Études en Sciences Sociales (2013).

Mesa 2 - Planejamento e Gentrificação (11h30 às 13h)

“Desescondendo” espaços culturais das “zonas opacas”

Com Lilian Fessler Vaz, arquiteta, mestre em Planejamento Urbano e Regional, doutora em Arquitetura e Urbanismo, com Pós-doutorado em Espaço e Cultura. É professora do PROURB/FAU/UFRJ. É autora de “Modernidade e Moradia: habitaçãocoletiva no Rio de Janeiro", coautora de "História dosbairros do Rio de Janeiro”, entre outros.

A renda imobiliária e os donos da cidade

Com Erminia Maricato, arquiteta e urbanista, mestra, doutora e professora titular aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Foi secretária de Habitação de Desenvolvimento Urbano do Município de São Paulo (1989-1992), vice ministra das Cidades (2003-2005). Atualmente é professora visitante do Instituto de Economia da Unicamp.

Eixo 4 – Os desafios da gestão cultural em espaço público

A gestão cultural não está mais restrita aos equipamentos culturais, ampliou seu escopo para os espaços públicos externos, na medida em que estes passaram a ser apropriados de forma crescente pelas manifestações artísticas e intervenções socioculturais, assim como vem sendo discutido pelo seu alto potencial de sociabilização e reagregação social.

Mesa 1- Sustentabilidade: novos modelos de espaços culturais (14h30 às 16h)

Imargem: arte, convivência e meio ambiente

Com Wellington Neri, artista, grafiteiro, educador, produtor cultural e agente marginal. Morador do Grajaú, pesquisador e idealizador do Projeto Imargem, que reúne arte, meio ambiente e convivência às margens da Represa Billings.

Economia, cultura e desenvolvimento urbano sustentável

Com Leandro Valiati, professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS. É autor dos livros: Economia da Cultura e Desenvolvimento (Ed. UFRGS, 2007); Economia da Cultura e Cinema (Ed. Terceiro Nome, 2010) e Indústrias Criativas no RS: síntese teórica e evidências empíricas (Ed. FEE, 2013).

Mesa 2- Gestores no Espaço Público (16h30 às 18h)

Quando um cinema abandonado é ocupado, a luz volta à plateia.

Com Rubén Caravaca Fernández, membro de Fabricantes de Ideias. Membro do Grupo de Peritos do Observatório da Cultura da Espanha e da Rede Ibero-americana de Docentes IBERTIC. Colaborador de meios de comunicação tais como Diario Vasco, La Marea, Nueva Tribuna, El Asombrario…é autor de vários livros, sendo o último “La gestión de las músicas actuales” editado em espanhol e francês pode ser baixado livremente da Internet.

Lugares para conexões

Com Rosana Cunha, mestranda em Gestão e Políticas Públicas na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, com pós-graduação em Administração da Cultura e Administração de Projetos, na FIA/USP. Atua no SESC – Serviço Social do Comércio em São Paulo como gerente de Ação Cultural, responsável pelo gerenciamento das ações artísticas desenvolvidas no Estado, nas áreas de música, dança. teatro, literatura, cinema, literatura e bibliotecas, com ênfase na difusão, circulação e pesquisa. Coordena, ainda, a realização anual de Mostras e Festivais.

//SERVIÇO

Dias 22 e 23/09, terça e quarta, das 10h às 18h
Local: Teatro do Sesc Bom Retiro, Alameda Nothmann, 185

Valor: R$ 80,00; R$ 40,00 (meia-entrada); R$ 24,00 (credenciados no Sesc).
Classificação: 16 anos.
Inscrições e informações: sescsp.org.br/espacosculturaisurbanos

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