Dan Stulbach: "Sou defensor da imaginação”

Em A Força do Querer, novela de Glória Perez que estreia em abril na Rede Globo, Dan Stulbach interpreta Eugênio, um advogado que quer dar uma guinada em sua vida profissional. A mudança causa vários problemas. Um deles é o afastamento de sua esposa, a socialite Joyce, interpretada por Maria Fernanda Cândido.

 

Dan Stulbach (Créditos: Reprodução/ Facebook)

 

As turbulências se intensificam quando a filha do casal, Ivana (Carol Duarte), descobre que é transexual. Enquanto Eugênio pesquisa sobre o tema e apoia a garota, Joyce se perde em projeções e opta pelo caminho da discriminação.

>> Sanidade é questionada em peça sobre relações familiares

O ritmo frenético da história do personagem parece se repetir fora do horário nobre na vida de Stulbach, já que ele atua também em Morte Acidental de um Anarquista, peça em cartaz no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea. O espetáculo é uma adaptação da comédia do dramaturgo italiano Dario Fo.

>> Monólogo aborda angústias da vida adulta e pop art

Com tantos compromissos, o ator paulistano conversou com o site O Beijo em um tarde de folga -- da televisão e do espetáculo. Interessado e atuante em diversas áreas, “Sou um defensor da imaginação”, falou sobre seu personagem no folhetim, a recepção do público à peça e sua relação com as artes visuais. Confira abaixo trechos do bate-papo. 

 

SITE O BEIJO – Dan, a primeira pergunta é sobre o Eugênio, personagem que você interpreta na novela A Força do Querer. Como ele a vida, a personalidade?

Dan Stulbach– Ele é um cara bastante ético e correto. Tem uma família estável. Tem dois filhos, um casal. É casado com o personagem da Maria Fernanda Cândido. Ele trabalha na empresa da sua família. Assumiu os negócios depois que o pai faleceu. Não queria isso, mas aceitou porque acreditava que era o que esperavam dele. 

No começo da novela, ele está no processo de deixar a empresa e se tornar advogado. Toda família é contra, a esposa, o irmão. Apesar da resistência, ele insiste nesse sonho. A questão profissional traz polêmicas para a sua vida pessoal. A esposa acaba se distanciando e ele conhece uma arquiteta, interpretada pela personagem da Débora Falabella. Provavelmente -- não tenho certeza  porque ainda não está escrito -- eles devem se envolver. É aí então que se estabelece um triângulo amoroso.

Ele também tem uma relação muito próxima com os filhos. Um deles é o Ruy, interpretado pelo Fiuk, que tem muitas questões profissionais e amorosas para serem resolvidas. A outra é a personagem da Carol Duarte que, a princípio, tem uma dificuldade com a sua sexualidade. Depois, se descobre que, na verdade, é uma questão de gênero. É uma personagem que vai abordar a questão trans. 

 

O ator paulistano e a atriz Maria Fernanda Cândido, sua parceira de cena na tv (Créditos: Reprodução/ Facebook)

 

SITE O BEIJO– A esposa do Eugênio não lida bem com a transsexualidade da Ivana (Carol Duarte). E ele, como lida?

DS– Não está escrito, então, não tenho ideia. O que foi comentado é que ele vai procurar se esclarecer sobre o assunto, vai entender e ficar do lado da filha. É isso o que eu sei. Por uma iniciativa pessoal, procurei alguns trans e conversei com eles sobre a relação com a família nesse processo de descoberta.

A experiência foi muito boa, até gravei algumas conversas. Elas me ajudaram a entender e a me inteirar sobre o assunto. Agora, naturalmente, estou esperando a Glória criar os capítulos. Sei também que a mãe (personagem da Maria Fernanda Cândido) vai ter uma reação ruim, vai rejeitar a filha, porque projeta nela o que ela era na juventude. 

 

Site O Beijo– E se um dos seus filhos fosse trans, você também seguiria pelo mesmo caminho que o Eugênio?

DS– Sim, claro que sim. Procuraria ouvir, aprender e aceitar a felicidade do seu filho.

 

 

SITE O BEIJO– Indo para outro tema, gostaria que você comentasse sua relação com as artes visuais.

DS– Eu adoro, me alimenta, estimula e provoca. Hoje mesmo (a entrevista foi feita no dia 15 de março), vou ir ao cinema e visitar uma galeria. Estou com a tarde livre, porque cancelaram uma externa que tinha com a Débora (Falabella) e também já me exercitei.

Quando tem a PARTE (feira de arte contemporânea), por exemplo, eu vou. Na primeira vez, quem me chamou foi a Lina Wurzmann, a quem eu conheço há muito tempo. Mas todas elas, SP-PARTE, Arte Rio, frequento também. Mesmo que determinado artista não me diga nada, acho bom ir e ver. No entanto,  não sou um grande comprador, não tenho tanto espaço para isso.

 

SITE O BEIJO – Tem algum artista que você tem olhado com mais atenção?

DS– Isso é uma ótima pergunta. Comecei a anotar os nomes das pessoas, porque sempre me esqueço, daí me repito no que gosto. Tem um artista aqui do Rio que chama Maria Fernanda Lucena. Tem a Cristina Canale também, que é um artista mais estabilizada e conhecida, de quem tenho um quadro e gosto muito.  Tem o Nazareno, de São Paulo. Tem muita gente.

Às vezes, me guio pelas galerias. Ah, também gosto de fotografia,que é uma outra praia. Tenho uma coleção com artistas brasileiros e estrangeiros que me inspiraram. Cartier Bresson, Valter Firmo, Walter Carvalho que também é cineasta.

 

 

SITE O BEIJO– Agora, sobre teatro. Você está em cartaz no Rio com Morte Acidental de um Anarquista. Antes, estava em São Paulo. Como o público tem recebido a peça, já que ela mescla  realidade e ficção?

DS– Quando estreei esse espetáculo, em setembro de 2015, não imaginava que ficaria em cartaz nem três meses. No final, foi tamanha a aceitação do público que deu certo. Nos apresentamos em 25 cidades, dentre capitais e interiores. Em todos os lugares, as pessoas se surpreendem pela proximidade com os atores. Acho que isso tem muito a ver com essa celebrização do artista que a mídia, a televisão e até os próprios atores e atrizes promovem.

A gente conversa com as pessoas, explica porque escolheu fazer essa peça. Se abre para algo novo. Assim como as artes plásticas, o teatro tem esse lugar de provocação. E a comédia, mais ainda, abre as amarras, proteções. As pessoas acabam rindo de si, do outro.  Tem gente que gosta mais, tem gente que gosta menos, mas ninguém tira o mérito dessa experiência. Aqui, no Rio, especificamente, é um povo caloroso que ri alto, fala, se manifesta. Como gente também vive uma época muito forte, as manifestações políticas acontecem com frequencia e de maneira efusiva/f

Atualizado em 16 de março, às 15h39

Comentários
Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake Museu de Arte Moderna de São Paulo