7 artistas lésbicas para acompanhar: Camila Soato (2/7)

 Quando a gente fala sobre História da Arte, uma das primeiras coisas que passam em nossas cabeças são os movimentos, escolas, vanguardas, características específicas de determinadas/os artistas e trabalhos que justifiquem estes estarem (ou não) aqui ou ali nos livros sobre arte.

O que acontece, no entanto, é que existe uma necessidade de agrupamento para que se possa exibir,mostrar, falar sobre, escrever, enfim... No nosso caso aqui, por exemplo, a escolha foi falar sobre artistas lésbicas contemporâneas.   

Quando decidimos, então, por determinado tipo de agrupamento temos que tomar um certo cuidado para que não criemos caixinhas rígidas demais que limitem ou aprisionem estas/es artistas e trabalhos. Isto porque é bastante comum que, depois que uma caixinha foi criada, se tente forçar e colocar as produções dentro dela, dentro de seus parâmetros pré-estabelecidos que mutias vezes não dão conta de contemplar aquele trabalho, artista...

É interessante pensar que com as caixinhas temos a História da Arte, com letras maiúsculas, para mostrar uma imponência e distanciamento do resto do que não é arte; no singular porque haviam (e há) pessoas específicas que decidiram por estabelecer quais seriam estas caixinhas e estes parâmetros baseados nas narrativas que queriam criar e quais queriam deixar de fora. Assim, a partir dessa lógica poderiam então dizer o que é e o que não é arte. 

Mas quando a gente questiona estas caixinhas temos a possibilidade, então, de questionar essa lógica, propor outras narrativas, outras formas de se refletir e produzir arte ou imagem. Seria então uma proposta das 'histórias das artes', 'História das Artes', 'História das...Artes?, etc...'?

Indo um pouco mais longe podemos questionar o próprio termo arte, mas não para cair num debate sobre o que é ou o que não é arte ainda dentro da lógica das caixinhas... Questionar sim o que é arte mas no sentido de tentar entender também com este conceito foi estabelecido, ao que se relaciona, quais relações sociais ele busca perpetuar e como ele se relaciona com os sistemas políticos, por exemplo. 

Ou seja questionar as narrativas, a história, o que é arte e se a gente se identifica de fato com esse conceito.

                                                                               ***                                                                

                                                                 CAMILA SOATO

 

(Créditos:Divulgação/Unicórnios, Sereias e Dragões - 2017)

 

(Créditos:Divulgação/Courbet sem courbet - 2016)

Camila Soato (Brasília, Brasil, 1985) vive e trabalha em São Paulo. Com sua pesquisa voltada para a apropriação de imagens encontradas na internet e relacionadas a um cotidiano banal, a artista brasiliense usa a pintura para explorar a conexão entre a vida.

(Créditos:Divulgação/Caravaggio não tem provas mas convicção que é preciso cagar sem temer - 2016)

 

(Créditos:Divulgação/Geração Pós-Coca Cola 1 - 2017)

Ironizando trabalhos canônicos da História da Arte, a artista os coloca em diálogo com personagens e fatos contemporâneos e por fazer essa aproximação é possível tirar uma nova leitura, tanto sobre as imagens antigas quanto as da atualidade. 

Também por se utilizar da técnica de pintura a óleo e o suporte do quadro, que são também ícones da História da Arte, a carga simbólica que estes trazem vai de encontro com a das imagens que ela representa, tiradas da internet, e que muitas vezes dizem respeito as próprias narrativas que ao longo da história foram excluídas. 

(Créditos:Divulgação/Ocupar e Resistir 1 - 2017)

Você pode conferir a entrevista que fizemos com a artista e que está no nosso acervo com no vídeo abaixo!

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