Mostra busca desromantizar a ideia de 'amas-de-leite'

No dia 4 de outubro, abre na Funarte a exposição Mãe Preta, idealizado pelas artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa.

A mostra reúne vídeos, fotografias, instalações e contará com performance de Glauce Pimenta Rosa e Jessica Castro na abertura, oficina com Jarid Arraes e lançamento do catálogo com textos de Lilia Moritz Schwarcz, Martina Ahlert, Qiana Mestrich, Temi Odumosu, Alex Castro e Júlio César Medeiros da Silva Pereira. 

(Crédito: Divulgação)

As conhecidas imagens das amas-de-leite negras, registradas desde meados do século 19 ao início do século 20, são o ponto de partida da pesquisa das artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa para a realização da exposição Mãe Preta.

“A exposição objetiva contrapor a representação romantizada das “mães pretas” e da maternidade em arquivos históricos do período escravocrata ao protagonismo real e crescente exercido pelas mães negras de hoje.

Iniciamos este projeto dentro de um contexto histórico com as escavações arqueológicas e a memorialização da escravidão da região portuária do Rio de Janeiro nos últimos anos. À medida que foram se revelando diversos achados, começamos a buscar elementos que se articulassem com o papel da mulher negra – focando na sua função dupla como mãe de seus próprios filhos e como amas-de-leite de crianças brancas – na formação social da cidade.

(Crédito: Divulgação)

Essas vidas, marcadas pelo terror da separação e mesmo morte de seus filhos em prol da criação dos filhos de outrem, deixaram marcas indeléveis como uma das grandes injustiças da história do Brasil e de toda a sociedade escravocrata.

Com a exposição propomos como reflexão as lacunas históricas em relação ao papel fundamental da maternidade tal como exercido pela mulher negra na nossa história urbana, social e visual, buscando pontos de inflexão com as lutas na sociedade contemporânea”, afirma Isabel.

(Crédito: Divulgação)

Dividida em oito séries, “Mãe Preta” apresenta instalações, colagens e intervenções em gravuras e fotografias, que, reunidas, propõem uma reinvenção poética da iconografia relacionada às mães pretas dentro de uma linguagem contemporânea tendo como ponto de partida imagens fotográficas do acervo do Instituto Moreira Salles, do Rio de Janeiro, e releituras de livros com gravuras de Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e outros artistas.

 

  • Funarte - Al. Nothmann, 1058 - Campos Elíseos, São Paulo
    + Ver mapa
  • 04/10/2018 a 25/11/2018
  • Segunda a sexta,11h às 19h. Sábados e domingos, 11h às 21h.
  • Gratuito.
Comentários
Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake Museu de Arte Moderna de São Paulo