As minas na cena criativa das histórias em quadrinhos

O projeto Mina de HQ reuniu no dia 23 de setembro, na livraria de quadrinhos Ugra Press, na capital paulista, mulheres que produzem e consomem quadrinhos para o lançamento do livro da Revista Clítoris, publicação criada pela argentina Mariela Acevedo, em 2011, como revista independente de quadrinhos e feminismo. 

"O objetivo [da Clítoris] é desconstruir os estereótipos sexistas e dar espaço para o trabalho feito por mulheres. Em agosto deste ano, foi lançado o segundo livro da coleção, Clítoris - Relatos gráficos para femininjas, que aborda como ser feminista hoje, política e desigualdades, masculinidades e identidade de gênero. A publicação gerou um espaço de discussão e reflexão sobre o lugar da mulher na sociedade atual", explica a criadora das redes sociais Mina de HQ, Gabriela Borges. 

Para entender melhor essa cena, O Beijo entrevistou Gabriela Borges. A jornalista nos conta como seu mestrado na Argentina levou à criação da Mina de HQ e qual a importância da Clítoris na atual produção da nona arte. Confira:

 

Gabriela Borges (Créditos: Reprodução)

 

O BEIJO // Como foi a sua vida acadêmica e onde entram os quadrinhos nessa história?

Gabriela Borges // Eu sou jornalista e fiz mestrado em Antropologia, na Facultad Latino-Americana de Ciências Sociales, em Buenos Aires. A tese teve como foco a representação da mulher e os discursos de gênero nas HQs de lá.

Fui morar na Argentina para fazer esse mestrado e estava buscando sobre o que eu poderia falar. Antropologia urbana e cultural eram possíveis focos voltados para a realidade brasileira. Por outro lado quadrinhos eram uma coisa que eu sempre gostei desde nova, e decidi insistir nisso. 

 

O BEIJO // E como foi a produção do mestrado?

Gabriela Borges // Imaginei que ninguém fosse me levar a sério, mas o orientador gostou muito, principalmente porque quadrinhos fazem parte da vida política da Argentina. A princípio meu foco seria na falta de mulheres nas tirinhas dos jornais e nas personagens femininas de Quino [criador da Mafalda].

Com o meu tema já definido, ganhei de uma amiga, durante a pesquisa, uma edição da revista Clítoris e ela passou a ser meu objeto de estudo e a desculpa para ler um monte de quadrinhos, uma vez que a minha tese foi sobre a produção de quadrinhos na argentina até o momento em que essa revista foi lançada.

Foi com esse trabalho que eu descobri o feminismo, me afirmei como feminista e qual o tipo de feminismo em que eu acredito.

 

O BEIJO // Onde entra o Mina de HQ nessa história?

Gabriela Borges // Voltei para o Brasil em 2013 comecei a fazer palestras sobre a Clítoris, participar de eventos e ter mais contato com as produções daqui, até que em 2015 eu criei a Mina de HQ, voltado para produção de mulheres e, em um primeiro momento, personagens femininas, não necessariamente produzidas por mulheres. Atualmente, apenas produções de mulheres fazem parte, por uma questão política mesmo.

 

O BEIJO // Como você vê o cenário brasileiro de quadrinhos?

Gabriela Borges // No Brasil, HQ também é muito importante, embora ainda marginalizado. Aqui você gosta de super-heroi ou Turma da Mônica, mas isso tem mudado. Tem um grupo de mulheres que estão começando a ganhar nome e mercado.

Mulheres que, em 2015, realizaram um protesto no HQMix [maior premiação de quadrinhos do país] contra a falta de mulheres no meio. Dentre essas, quatro foram premiadas no mesmo evento esse ano.

Não podemos deixar de citar o Maurício de Souza com recorde de vendas no mundo todo com a Mônica Teen. Temos também os quadrinhos nos jornais, que são muito importantes do ponto de vista político.

Os quadrinhos fazem parte da nossa cultura desde a infância, quantas crianças aprendem a ler com HQs, por exemplo.

 

(Créditos: Reprodução / Facebook Mina de HQ)

 

Para mais informações, acesse a fanpage da Mina de HQ

  • UGRA Press - Rua Augusta, 1371 - Consolação, São Paulo
    (11) 3589-5459
    + Ver mapa
  • 23/09/2017 a 23/09/2017
  • Sábado: 15h às 19h.
  • Entrada gratuita.
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